Quando parece que a dor não vai passar

About the author : Flaviano Jaime da Silva

Olá! Sou Flaviano Jaime da Silva, psicólogo CRP 56349, pós graduado e apaixonado por ajudar pessoas a navegar pelos desafios complexos de suas vidas. Graduei-me pela Universidade Veiga de Almeida e tenho especialização em Terapia Cognitivo Comportamental, com mais de 8 de experiência em clínica, aconselhamento e terapia cognitivo-comportamental.

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Quase todo mundo já viveu um momento em que a dor pareceu definitiva. Pode ser um luto, um rompimento, uma humilhação, uma crise de ansiedade, uma decepção ou uma fase longa de exaustão. Nesses momentos, não parece que a emoção vai diminuir. Parece que ela tomou conta da paisagem inteira e vai ficar para sempre. O problema é que, quando acreditamos nisso, o sofrimento aumenta mais ainda. A emoção difícil vem acompanhada de desespero.

Leahy chama atenção para uma ideia essencial: emoções fortes parecem permanentes, mas não são. Elas têm começo, meio e mudança. Algumas voltam em ondas, outras diminuem aos poucos, outras cedem de forma inesperada depois de uma conversa, um descanso, um novo foco ou simplesmente a passagem do tempo. Isso vale para tristeza, raiva, ansiedade, vergonha, desamparo e solidão. No auge do sentimento, o cérebro fala alto e de forma dramática, como se precisasse convencer você de que o perigo é total.

Do ponto de vista da sobrevivência, faz sentido que a emoção exagere. O medo não evoluiu para ser discreto. Ele evoluiu para gritar. A raiva também não pede licença. Ela mobiliza. A tristeza profunda pode puxar o corpo para baixo e dizer que nada mais vale a pena. Essas mensagens são intensas porque emoções fortes tentam obrigar o organismo a prestar atenção. O problema aparece quando a pessoa toma o alarme como previsão certa do futuro.

Pense em ataques de pânico. Durante a crise, muita gente tem a impressão de que vai morrer, enlouquecer ou ficar daquele jeito para sempre. Mas crises passam. O corpo não sustenta aquela intensidade indefinidamente. Algo parecido acontece com raiva extrema, choro intenso e picos de desespero. A onda sobe, assusta e depois desce. Saber disso não elimina o desconforto, mas ajuda a não alimentar conclusões catastróficas no meio da tempestade.

Uma forma de lidar melhor com isso é recuperar a memória emocional. Olhe para trás e pergunte: quais emoções muito intensas eu já tive na vida? Quanto tempo aquela intensidade máxima realmente durou? O que aconteceu depois? Quando fazemos esse exercício com honestidade, quase sempre percebemos que sentimentos que pareciam intermináveis mudaram. Talvez não tenham sumido rápido. Talvez tenham voltado em alguns dias. Mas mudaram. Essa constatação enfraquece a mentira do ‘para sempre’.

Outro recurso útil é diferenciar duração total de duração da intensidade máxima. Às vezes a pessoa diz ‘estou triste há meses’, e isso pode ser verdade. Mas a tristeza não fica na mesma intensidade máxima durante todos esses meses. Ela oscila. Há minutos piores, horas mais leves, dias suportáveis, momentos de distração, encontros que aliviam e tarefas que reduzem a dor. Observar essa variação ajuda a mente a sair do tudo ou nada.

Na prática, você pode registrar por alguns dias a emoção atual, a intensidade de zero a dez, a previsão de quanto vai durar e o resultado real. Isso educa o olhar. Um sentimento que parecia durar ‘o dia inteiro’ talvez tenha ficado em nível muito alto por quarenta minutos e depois baixado para um incômodo moderado. Esse tipo de observação não diminui a seriedade da dor, mas devolve proporção. Proporção é uma forma de cuidado.

Também é importante não transformar a emoção em identidade. Dizer ‘estou me sentindo sem esperança’ é diferente de dizer ‘sou sem esperança’. A primeira frase descreve um estado. A segunda cola o estado em quem você é. O mesmo vale para tristeza, medo e solidão. Estados mudam. Identidades são mais rígidas. Quanto mais você fala de si como se fosse a própria dor, mais difícil fica notar movimento.

Quando a onda sobe, respostas pequenas ajudam. Respirar mais devagar. Sentar com os pés no chão. Beber água. Sair de um ambiente abafado. Adiar decisões importantes. Falar com alguém seguro. Evitar álcool e reações impulsivas. Lembrar a si mesmo: ‘isto está muito forte agora, mas não preciso acreditar em tudo o que minha mente está dizendo neste minuto’. Essas medidas não são mágicas, mas podem impedir que a pessoa piore a situação enquanto a emoção está no pico.

Há ainda um aspecto esperançoso e prático: a vida continua se mexendo mesmo quando você não percebe. Novas experiências, novos hábitos, novas conversas e novos focos vão entrando em cena. A emoção de hoje não é uma fotografia do resto da sua história. Ela é um capítulo. Pode ser um capítulo duro, lento e cansativo, mas ainda é um capítulo. Lembrar disso sustenta a paciência necessária para atravessar fases difíceis.

Claro que existem situações em que a dor dura demais ou fica perigosa, e aí é importante procurar ajuda profissional. Se a pessoa está sem conseguir funcionar, se há pensamentos de morte, automutilação, abuso de substâncias ou isolamento extremo, não faz sentido enfrentar tudo sozinha. Pedir ajuda não contradiz a ideia de que a emoção passa. Significa apenas reconhecer que, às vezes, para atravessar melhor uma fase, precisamos de companhia qualificada.

No fundo, acreditar que a dor pode mudar não é ingenuidade. É realismo. Você já não é a mesma pessoa de muitos sofrimentos antigos. Seu corpo, sua mente, sua história e suas circunstâncias seguem em movimento. Quando parece que a dor não vai passar, talvez a tarefa do momento não seja provar que está tudo bem. Talvez seja apenas não transformar o instante presente em sentença perpétua. Isso já abre uma fresta para respirar, esperar e continuar.

Há outro ponto importante nesta parte sobre quando parece que a dor não vai passar. Nem todo aprendizado emocional aparece como virada espetacular. Muitas vezes ele surge quando você percebe um padrão alguns minutos antes, fala de modo um pouco mais claro ou evita uma reação que antes parecia inevitável. Esses pequenos sinais costumam ser o começo de mudanças maiores.

Também ajuda muito transformar reflexão em rotina. Separar cinco ou dez minutos no fim do dia para revisar o que mexeu com você, o que pensou, como o corpo reagiu e o que poderia fazer diferente cria continuidade. Sem continuidade, boas ideias viram apenas inspiração passageira. Com continuidade, elas começam a moldar novos hábitos.

Outra observação prática é que emoções difíceis pedem linguagem concreta. Em vez de se definir de forma ampla e dura, tente descrever situações específicas. Dizer ‘hoje me senti inseguro nesta conversa’ é bem diferente de afirmar ‘sou incapaz’. A descrição específica costuma abrir caminho para ação. A generalização pesada costuma empurrar você para paralisia.

Vale lembrar ainda que mudanças emocionais ficam mais sólidas quando contam com apoio. Isso não significa depender de alguém para tudo, mas reconhecer que vínculos confiáveis ajudam a colocar a experiência em perspectiva. Uma conversa honesta, um limite claro, uma escuta respeitosa ou até a companhia silenciosa de alguém seguro podem reduzir bastante o peso do momento.

Se quiser testar esta leitura na prática, escolha uma situação recente e releia tudo à luz dela. Pergunte o que sentiu, o que pensou, qual valor foi tocado, que hábito piorou ou ajudou e qual seria um próximo passo mais maduro. Aplicar conceitos em experiências reais costuma ensinar mais do que apenas concordar com eles em tese.

Nem sempre será confortável olhar dessa forma para si mesmo. Em alguns dias você vai preferir voltar ao automático, fugir do assunto ou procurar distração imediata. Isso faz parte. O importante é não transformar uma recaída em desistência. Retomar a prática no dia seguinte já é um movimento valioso de cuidado e responsabilidade.

Com o tempo, esse tipo de atenção muda não apenas o que você sente, mas a maneira como fala, decide, trabalha e constrói relações. A pessoa continua humana, portanto continua vulnerável a medo, tristeza, frustração e cansaço. A diferença é que passa a reconhecer essas experiências mais cedo e a responder de forma menos destrutiva.

Por fim, vale repetir uma ideia simples: compreender emoções não serve para ficar pensando em si o dia inteiro, e sim para viver melhor. Quando você entende o que acontece por dentro, ganha mais liberdade para investir energia no que importa por fora: vínculos, trabalho, descanso, escolhas e uma rotina mais coerente com seus valores.

Há outro ponto importante nesta parte sobre quando parece que a dor não vai passar. Nem todo aprendizado emocional aparece como virada espetacular. Muitas vezes ele surge quando você percebe um padrão alguns minutos antes, fala de modo um pouco mais claro ou evita uma reação que antes parecia inevitável. Esses pequenos sinais costumam ser o começo de mudanças maiores.

Também ajuda muito transformar reflexão em rotina. Separar cinco ou dez minutos no fim do dia para revisar o que mexeu com você, o que pensou, como o corpo reagiu e o que poderia fazer diferente cria continuidade. Sem continuidade, boas ideias viram apenas inspiração passageira. Com continuidade, elas começam a moldar novos hábitos.

Outra observação prática é que emoções difíceis pedem linguagem concreta. Em vez de se definir de forma ampla e dura, tente descrever situações específicas. Dizer ‘hoje me senti inseguro nesta conversa’ é bem diferente de afirmar ‘sou incapaz’. A descrição específica costuma abrir caminho para ação. A generalização pesada costuma empurrar você para paralisia.

Vale lembrar ainda que mudanças emocionais ficam mais sólidas quando contam com apoio. Isso não significa depender de alguém para tudo, mas reconhecer que vínculos confiáveis ajudam a colocar a experiência em perspectiva. Uma conversa honesta, um limite claro, uma escuta respeitosa ou até a companhia silenciosa de alguém seguro podem reduzir bastante o peso do momento.

Se quiser testar esta leitura na prática, escolha uma situação recente e releia tudo à luz dela. Pergunte o que sentiu, o que pensou, qual valor foi tocado, que hábito piorou ou ajudou e qual seria um próximo passo mais maduro. Aplicar conceitos em experiências reais costuma ensinar mais do que apenas concordar com eles em tese.

Nem sempre será confortável olhar dessa forma para si mesmo. Em alguns dias você vai preferir voltar ao automático, fugir do assunto ou procurar distração imediata. Isso faz parte. O importante é não transformar uma recaída em desistência. Retomar a prática no dia seguinte já é um movimento valioso de cuidado e responsabilidade.

Com o tempo, esse tipo de atenção muda não apenas o que você sente, mas a maneira como fala, decide, trabalha e constrói relações. A pessoa continua humana, portanto continua vulnerável a medo, tristeza, frustração e cansaço. A diferença é que passa a reconhecer essas experiências mais cedo e a responder de forma menos destrutiva.

Por fim, vale repetir uma ideia simples: compreender emoções não serve para ficar pensando em si o dia inteiro, e sim para viver melhor. Quando você entende o que acontece por dentro, ganha mais liberdade para investir energia no que importa por fora: vínculos, trabalho, descanso, escolhas e uma rotina mais coerente com seus valores.

Há outro ponto importante nesta parte sobre quando parece que a dor não vai passar. Nem todo aprendizado emocional aparece como virada espetacular. Muitas vezes ele surge quando você percebe um padrão alguns minutos antes, fala de modo um pouco mais claro ou evita uma reação que antes parecia inevitável. Esses pequenos sinais costumam ser o começo de mudanças maiores.

Também ajuda muito transformar reflexão em rotina. Separar cinco ou dez minutos no fim do dia para revisar o que mexeu com você, o que pensou, como o corpo reagiu e o que poderia fazer diferente cria continuidade. Sem continuidade, boas ideias viram apenas inspiração passageira. Com continuidade, elas começam a moldar novos hábitos.

Outra observação prática é que emoções difíceis pedem linguagem concreta. Em vez de se definir de forma ampla e dura, tente descrever situações específicas. Dizer ‘hoje me senti inseguro nesta conversa’ é bem diferente de afirmar ‘sou incapaz’. A descrição específica costuma abrir caminho para ação. A generalização pesada costuma empurrar você para paralisia.

Vale lembrar ainda que mudanças emocionais ficam mais sólidas quando contam com apoio. Isso não significa depender de alguém para tudo, mas reconhecer que vínculos confiáveis ajudam a colocar a experiência em perspectiva. Uma conversa honesta, um limite claro, uma escuta respeitosa ou até a companhia silenciosa de alguém seguro podem reduzir bastante o peso do momento.

Se quiser testar esta leitura na prática, escolha uma situação recente e releia tudo à luz dela. Pergunte o que sentiu, o que pensou, qual valor foi tocado, que hábito piorou ou ajudou e qual seria um próximo passo mais maduro. Aplicar conceitos em experiências reais costuma ensinar mais do que apenas concordar com eles em tese.

Referências bibliográficas

LEAHY, Robert L. Não acredite em tudo que você sente: identifique seus esquemas emocionais e liberte-se da ansiedade e da depressão. Tradução de Sandra Maria Mallmann da Rosa. Porto Alegre: Artmed, 2021.

LEAHY, Robert L. Don’t believe in everything you feel: a CBT workbook to identify your emotional schemas and find freedom from anxiety and depression. Oakland: New Harbinger Publications, 2020.

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