
About the author : Flaviano Jaime da Silva
Olá! Sou Flaviano Jaime da Silva, psicólogo CRP 56349, pós graduado e apaixonado por ajudar pessoas a navegar pelos desafios complexos de suas vidas. Graduei-me pela Universidade Veiga de Almeida e tenho especialização em Terapia Cognitivo Comportamental, com mais de 8 de experiência em clínica, aconselhamento e terapia cognitivo-comportamental.
Navegação interna
- 1. Entendendo o que você sente no dia a dia
- 2. Como se acolher sem se julgar
- 3. O que passa pela cabeça muda o que passa no peito
- 4. Crenças emocionais: o filtro que aumenta ou acalma o sofrimento
- 5. Quando parece que a dor não vai passar
- 6. Sentir não é errar: culpa, vergonha e humanidade
- 7. Emoção intensa não significa perda total de controle
- 8. Sentimentos mistos também são normais
- 9. Descobrir o que realmente importa para você
- 10. Hábitos que pioram o sofrimento sem parecer
- 11. Como entender melhor o que o outro sente
- 12. Juntando tudo: um plano prático para viver melhor com as emoções
Quando uma emoção sobe rápido demais, a impressão é assustadora. O coração acelera, o pensamento dispara, o corpo fica tenso e a mente conclui: ‘estou perdendo o controle’. Em muitos casos, esse pensamento piora ainda mais a situação. A pessoa começa a ter medo da própria emoção e, com isso, entra em uma espiral. Fica ansiosa por estar ansiosa, com raiva por estar com raiva ou apavorada por achar que vai desabar diante de todo mundo.
Leahy mostra que existe uma grande diferença entre emoção intensa e falta total de controle. Emoção intensa significa ativação alta. Significa que algo importante foi tocado. Significa que o corpo e a mente entraram em modo de alerta. Mas isso não quer dizer, automaticamente, que você vai enlouquecer, atacar alguém, desmaiar, fazer uma loucura ou nunca mais voltar ao normal. O medo dessas conclusões costuma ser uma parte importante do problema.
Pense em alguém dirigindo e sendo fechado no trânsito. A raiva vem como um choque. O corpo esquenta, os músculos endurecem e a mente cria pensamentos agressivos. Isso não significa que a pessoa precisa agir conforme esse impulso. Da mesma forma, alguém em crise de ansiedade pode sentir que vai morrer, embora o que esteja acontecendo seja uma onda intensa de medo e sensações corporais. A emoção quer convencer. Ela fala alto. Mas falar alto não é o mesmo que estar certa.
Uma mudança central é parar de interpretar a intensidade como prova de catástrofe. Em vez de ‘se está tão forte, então algo terrível está acontecendo’, vale experimentar: ‘está muito forte, então preciso desacelerar e não tirar conclusões apressadas’. Essa troca de postura não elimina a emoção na hora, mas reduz o combustível extra que vinha do pânico sobre a própria reação.
Também ajuda entender que emoções têm curva. Elas sobem, se mantêm por algum tempo e depois mudam. Nem sempre caem rapidamente, mas não ficam para sempre no auge. O corpo humano não sustenta intensidade máxima por tempo infinito. Saber disso permite atravessar a onda sem obedecer cegamente a ela. Em vez de lutar para expulsar a emoção em segundos, a pessoa passa a se concentrar em atravessar aquele pico com o mínimo de dano.
Existem técnicas simples que ajudam nessa travessia. A primeira é dar nome ao que está acontecendo: ‘isso é ansiedade’, ‘isso é raiva’, ‘isso é uma onda de vergonha’. Nomear cria algum espaço entre você e a experiência. A segunda é regular o corpo: respirar mais devagar, alongar as mãos, soltar os ombros, sentir os pés no chão, tomar água, diminuir estímulos ao redor. A terceira é adiar ações impulsivas: não responder mensagem no auge, não tomar decisões definitivas, não beber para anestesiar, não dirigir agressivamente, não atacar quem está perto.
Outra ferramenta importante é a autoinstrução breve. Frases curtas funcionam melhor no meio da intensidade. Algo como: ‘isto é desconfortável, não perigoso’, ‘vai passar’, ‘não preciso resolver tudo agora’, ‘sentir não me obriga a agir’, ‘eu consigo passar por este pico’. Essas frases não devem ser usadas como mágica ou negação. São âncoras para o momento em que a mente quer transformar tudo em catástrofe.
Vale ainda revisar os pensamentos que costumam aparecer depois da crise. Algumas pessoas concluem ‘se aconteceu uma vez, vai acontecer sempre’. Outras passam a evitar lugares, conversas e situações por medo de sentir de novo. Esse movimento de fuga pode reduzir o desconforto no curto prazo, mas costuma aumentar a sensação de fragilidade no longo prazo. A pessoa começa a viver em torno da prevenção da emoção. Aos poucos, a vida encolhe.
Por isso, recuperar confiança também envolve pequenas exposições à experiência. Não é se jogar no sofrimento de qualquer jeito, mas voltar com cuidado para aquilo que foi evitado, aprendendo na prática que é possível sentir e continuar funcionando. Quem teve ansiedade em elevador pode treinar aproximações graduais. Quem teme chorar em público pode aceitar que lágrimas não são necessariamente humilhação. Quem tem medo da própria raiva pode praticar conversas firmes sem agressão.
Outro ponto essencial é diferenciar controle rígido de condução flexível. Controle rígido tenta impedir qualquer emoção. Condução flexível reconhece a emoção e escolhe o que fazer com ela. A primeira costuma falhar e gerar mais medo. A segunda amadurece com a prática. Ninguém aprende isso de um dia para o outro. Mas cada vez que você atravessa uma onda intensa sem obedecer ao pior impulso, seu cérebro aprende algo novo: sentir forte não é o fim.
Se as crises forem frequentes, muito intensas ou acompanhadas de comportamentos perigosos, ajuda profissional faz diferença. Aprender técnicas com acompanhamento, compreender gatilhos e construir respostas mais seguras pode transformar bastante a experiência. Isso não é sinal de fraqueza. É estratégia.
No fundo, emoção intensa não exige perfeição. Exige presença, pausa e algum treinamento. Você talvez não escolha quando a onda começa, mas pode aprender a surfar melhor. E isso muda muita coisa: menos medo de si mesmo, menos explosões, menos evitação e mais confiança para continuar vivendo mesmo quando o coração faz barulho.
Há outro ponto importante nesta parte sobre emoção intensa não significa perda total de controle. Nem todo aprendizado emocional aparece como virada espetacular. Muitas vezes ele surge quando você percebe um padrão alguns minutos antes, fala de modo um pouco mais claro ou evita uma reação que antes parecia inevitável. Esses pequenos sinais costumam ser o começo de mudanças maiores.
Também ajuda muito transformar reflexão em rotina. Separar cinco ou dez minutos no fim do dia para revisar o que mexeu com você, o que pensou, como o corpo reagiu e o que poderia fazer diferente cria continuidade. Sem continuidade, boas ideias viram apenas inspiração passageira. Com continuidade, elas começam a moldar novos hábitos.
Outra observação prática é que emoções difíceis pedem linguagem concreta. Em vez de se definir de forma ampla e dura, tente descrever situações específicas. Dizer ‘hoje me senti inseguro nesta conversa’ é bem diferente de afirmar ‘sou incapaz’. A descrição específica costuma abrir caminho para ação. A generalização pesada costuma empurrar você para paralisia.
Vale lembrar ainda que mudanças emocionais ficam mais sólidas quando contam com apoio. Isso não significa depender de alguém para tudo, mas reconhecer que vínculos confiáveis ajudam a colocar a experiência em perspectiva. Uma conversa honesta, um limite claro, uma escuta respeitosa ou até a companhia silenciosa de alguém seguro podem reduzir bastante o peso do momento.
Se quiser testar esta leitura na prática, escolha uma situação recente e releia tudo à luz dela. Pergunte o que sentiu, o que pensou, qual valor foi tocado, que hábito piorou ou ajudou e qual seria um próximo passo mais maduro. Aplicar conceitos em experiências reais costuma ensinar mais do que apenas concordar com eles em tese.
Nem sempre será confortável olhar dessa forma para si mesmo. Em alguns dias você vai preferir voltar ao automático, fugir do assunto ou procurar distração imediata. Isso faz parte. O importante é não transformar uma recaída em desistência. Retomar a prática no dia seguinte já é um movimento valioso de cuidado e responsabilidade.
Com o tempo, esse tipo de atenção muda não apenas o que você sente, mas a maneira como fala, decide, trabalha e constrói relações. A pessoa continua humana, portanto continua vulnerável a medo, tristeza, frustração e cansaço. A diferença é que passa a reconhecer essas experiências mais cedo e a responder de forma menos destrutiva.
Por fim, vale repetir uma ideia simples: compreender emoções não serve para ficar pensando em si o dia inteiro, e sim para viver melhor. Quando você entende o que acontece por dentro, ganha mais liberdade para investir energia no que importa por fora: vínculos, trabalho, descanso, escolhas e uma rotina mais coerente com seus valores.
Há outro ponto importante nesta parte sobre emoção intensa não significa perda total de controle. Nem todo aprendizado emocional aparece como virada espetacular. Muitas vezes ele surge quando você percebe um padrão alguns minutos antes, fala de modo um pouco mais claro ou evita uma reação que antes parecia inevitável. Esses pequenos sinais costumam ser o começo de mudanças maiores.
Também ajuda muito transformar reflexão em rotina. Separar cinco ou dez minutos no fim do dia para revisar o que mexeu com você, o que pensou, como o corpo reagiu e o que poderia fazer diferente cria continuidade. Sem continuidade, boas ideias viram apenas inspiração passageira. Com continuidade, elas começam a moldar novos hábitos.
Outra observação prática é que emoções difíceis pedem linguagem concreta. Em vez de se definir de forma ampla e dura, tente descrever situações específicas. Dizer ‘hoje me senti inseguro nesta conversa’ é bem diferente de afirmar ‘sou incapaz’. A descrição específica costuma abrir caminho para ação. A generalização pesada costuma empurrar você para paralisia.
Vale lembrar ainda que mudanças emocionais ficam mais sólidas quando contam com apoio. Isso não significa depender de alguém para tudo, mas reconhecer que vínculos confiáveis ajudam a colocar a experiência em perspectiva. Uma conversa honesta, um limite claro, uma escuta respeitosa ou até a companhia silenciosa de alguém seguro podem reduzir bastante o peso do momento.
Se quiser testar esta leitura na prática, escolha uma situação recente e releia tudo à luz dela. Pergunte o que sentiu, o que pensou, qual valor foi tocado, que hábito piorou ou ajudou e qual seria um próximo passo mais maduro. Aplicar conceitos em experiências reais costuma ensinar mais do que apenas concordar com eles em tese.
Nem sempre será confortável olhar dessa forma para si mesmo. Em alguns dias você vai preferir voltar ao automático, fugir do assunto ou procurar distração imediata. Isso faz parte. O importante é não transformar uma recaída em desistência. Retomar a prática no dia seguinte já é um movimento valioso de cuidado e responsabilidade.
Com o tempo, esse tipo de atenção muda não apenas o que você sente, mas a maneira como fala, decide, trabalha e constrói relações. A pessoa continua humana, portanto continua vulnerável a medo, tristeza, frustração e cansaço. A diferença é que passa a reconhecer essas experiências mais cedo e a responder de forma menos destrutiva.
Por fim, vale repetir uma ideia simples: compreender emoções não serve para ficar pensando em si o dia inteiro, e sim para viver melhor. Quando você entende o que acontece por dentro, ganha mais liberdade para investir energia no que importa por fora: vínculos, trabalho, descanso, escolhas e uma rotina mais coerente com seus valores.
Há outro ponto importante nesta parte sobre emoção intensa não significa perda total de controle. Nem todo aprendizado emocional aparece como virada espetacular. Muitas vezes ele surge quando você percebe um padrão alguns minutos antes, fala de modo um pouco mais claro ou evita uma reação que antes parecia inevitável. Esses pequenos sinais costumam ser o começo de mudanças maiores.
Também ajuda muito transformar reflexão em rotina. Separar cinco ou dez minutos no fim do dia para revisar o que mexeu com você, o que pensou, como o corpo reagiu e o que poderia fazer diferente cria continuidade. Sem continuidade, boas ideias viram apenas inspiração passageira. Com continuidade, elas começam a moldar novos hábitos.
Outra observação prática é que emoções difíceis pedem linguagem concreta. Em vez de se definir de forma ampla e dura, tente descrever situações específicas. Dizer ‘hoje me senti inseguro nesta conversa’ é bem diferente de afirmar ‘sou incapaz’. A descrição específica costuma abrir caminho para ação. A generalização pesada costuma empurrar você para paralisia.
Vale lembrar ainda que mudanças emocionais ficam mais sólidas quando contam com apoio. Isso não significa depender de alguém para tudo, mas reconhecer que vínculos confiáveis ajudam a colocar a experiência em perspectiva. Uma conversa honesta, um limite claro, uma escuta respeitosa ou até a companhia silenciosa de alguém seguro podem reduzir bastante o peso do momento.
Se quiser testar esta leitura na prática, escolha uma situação recente e releia tudo à luz dela. Pergunte o que sentiu, o que pensou, qual valor foi tocado, que hábito piorou ou ajudou e qual seria um próximo passo mais maduro. Aplicar conceitos em experiências reais costuma ensinar mais do que apenas concordar com eles em tese.
Nem sempre será confortável olhar dessa forma para si mesmo. Em alguns dias você vai preferir voltar ao automático, fugir do assunto ou procurar distração imediata. Isso faz parte. O importante é não transformar uma recaída em desistência. Retomar a prática no dia seguinte já é um movimento valioso de cuidado e responsabilidade.
Referências bibliográficas
LEAHY, Robert L. Não acredite em tudo que você sente: identifique seus esquemas emocionais e liberte-se da ansiedade e da depressão. Tradução de Sandra Maria Mallmann da Rosa. Porto Alegre: Artmed, 2021.
LEAHY, Robert L. Don’t believe in everything you feel: a CBT workbook to identify your emotional schemas and find freedom from anxiety and depression. Oakland: New Harbinger Publications, 2020.
Tags
controle emocional, emoções intensas, pânico, raiva, crise, ansiedade, regulação, autocontrole, corpo, medo, impulsividade, calma, aceitação, técnicas, respiração, pausa, comportamento, saúde mental, segurança, resiliência, pensamento, prática, bem-estar, vida diária, limites