
About the author : Flaviano Jaime da Silva
Olá! Sou Flaviano Jaime da Silva, psicólogo CRP 56349, pós graduado e apaixonado por ajudar pessoas a navegar pelos desafios complexos de suas vidas. Graduei-me pela Universidade Veiga de Almeida e tenho especialização em Terapia Cognitivo Comportamental, com mais de 8 de experiência em clínica, aconselhamento e terapia cognitivo-comportamental.
Navegação interna
- 1. Entendendo o que você sente no dia a dia
- 2. Como se acolher sem se julgar
- 3. O que passa pela cabeça muda o que passa no peito
- 4. Crenças emocionais: o filtro que aumenta ou acalma o sofrimento
- 5. Quando parece que a dor não vai passar
- 6. Sentir não é errar: culpa, vergonha e humanidade
- 7. Emoção intensa não significa perda total de controle
- 8. Sentimentos mistos também são normais
- 9. Descobrir o que realmente importa para você
- 10. Hábitos que pioram o sofrimento sem parecer
- 11. Como entender melhor o que o outro sente
- 12. Juntando tudo: um plano prático para viver melhor com as emoções
Sentir faz parte de estar vivo. Parece uma frase simples, mas ela muda muita coisa quando levada a sério. Muita gente passa o dia tentando empurrar para longe o que sente, como se a emoção fosse um erro do corpo ou uma falha de caráter. Só que emoção não é defeito. Emoção é sinal. Ela aparece para mostrar que algo importa, incomoda, ameaça, atrai, machuca ou pede cuidado. Quando entendemos isso, deixamos de lutar contra a própria experiência e começamos a escutar o que está acontecendo por dentro com mais clareza e menos medo.
No livro que serve de base para este material, Robert L. Leahy lembra que pensamentos e sentimentos não são a mesma coisa. Pensamentos são frases, interpretações, previsões e julgamentos. Sentimentos são as reações emocionais que surgem diante do que vivemos e do sentido que damos ao que vivemos. Essa diferença é importante porque muita gente diz ‘sinto que vou fracassar’, quando na verdade está pensando sobre o futuro e sentindo medo ou insegurança. Quando a pessoa aprende a separar as duas coisas, fica mais fácil perceber o que é fato, o que é interpretação e o que é emoção. Essa separação reduz confusão mental e ajuda a responder melhor às situações do dia a dia.
Outra ideia central é que emoção não é só uma palavra solta, como tristeza ou ansiedade. Ela tem várias partes ao mesmo tempo. Existe a sensação física, como aperto no peito, peso no corpo, vontade de chorar ou coração acelerado. Existe a crença ou interpretação, como ‘isso nunca vai melhorar’ ou ‘ninguém se importa comigo’. Existe o objetivo ou necessidade que está sendo tocado, como ser respeitado, sentir conexão, ter segurança ou manter algo importante. Existe ainda o comportamento, como atacar, fugir, calar, procurar alguém ou se isolar. Quando você olha para esse conjunto, percebe que a emoção não caiu do céu. Ela veio acompanhada de sinais claros.
Na vida comum, esse entendimento ajuda muito. Imagine que uma pessoa não recebe resposta de uma mensagem importante. Em poucos minutos, o corpo fica tenso, a cabeça cria explicações, a emoção cresce e o comportamento muda. Ela pensa ‘fiz algo errado’, sente ansiedade, checa o celular várias vezes e talvez envie novas mensagens em sequência. Em outro caso, a mesma demora pode ser lida de modo diferente: ‘a pessoa deve estar ocupada’. A emoção pode ser bem mais leve. O fato é parecido, mas o significado muda tudo. Por isso, reconhecer a diferença entre situação, pensamento, emoção e reação é um passo muito valioso.
Também vale lembrar que algumas emoções ficam mais fortes em certos contextos. Tem gente que acorda mais triste de manhã. Tem gente que piora quando está em locais fechados, quando fica sozinha à noite, quando se sente rejeitada ou quando está fisicamente cansada. Observar padrões não serve para viver em alerta o tempo todo, mas para se conhecer melhor. Quando você sabe o que costuma acender sua ansiedade ou sua irritação, ganha a chance de se preparar e cuidar de si antes de entrar no automático.
Uma prática simples e poderosa é dar nome ao que está acontecendo. Em vez de dizer apenas ‘estou mal’, você pode perguntar: estou triste, frustrado, com medo, com vergonha, com raiva, sobrecarregado, solitário ou decepcionado? Quanto mais preciso é o nome, mais claro fica o caminho. Nomear não resolve tudo de imediato, mas organiza a experiência. Uma emoção nomeada costuma assustar menos do que uma névoa sem forma. Isso também ajuda a conversar melhor com outras pessoas, porque dizer ‘estou me sentindo deixado de lado’ é muito mais útil do que explodir sem explicar nada.
Leahy também propõe olhar para o significado contido em cada emoção. Solidão pode mostrar que conexão é importante. Raiva pode mostrar que respeito importa. Ansiedade pode indicar que há algo valioso em risco. Tristeza pode apontar perda, frustração ou decepção diante do que era importante. Isso não significa obedecer a toda emoção cegamente. Significa reconhecer que ela carrega uma mensagem. Quando a pessoa aprende a perguntar ‘o que isso diz sobre mim, meus valores e minhas necessidades?’, a emoção deixa de ser só um peso e passa a ser também uma fonte de informação.
Na prática, vale fazer pequenas pausas ao longo do dia. Você pode notar o corpo, observar o pensamento dominante, perguntar o que está importando tanto naquele momento e escolher uma resposta menos impulsiva. Às vezes a melhor resposta é falar. Outras vezes é esperar. Em alguns casos é descansar, comer, respirar fundo, pedir ajuda ou rever a interpretação que você fez da situação. O ponto não é controlar tudo com perfeição. O ponto é sair do modo automático e ganhar alguns segundos de consciência antes de agir.
Muita gente teme olhar para dentro porque acha que vai encontrar apenas caos. Mas o caos costuma diminuir quando passa a ser observado com curiosidade. Você não precisa gostar de tudo o que sente para aprender com isso. Pode apenas notar. Hoje estou mais sensível. Hoje fiquei mexido com uma crítica. Hoje o medo apareceu porque algo me importa muito. Esse jeito de olhar é mais humano do que se tratar como uma máquina que deveria funcionar sem falhas. Pessoas reais sentem de formas intensas, confusas, bonitas e difíceis.
Outra utilidade desse olhar é evitar interpretações precipitadas do corpo. Coração acelerado nem sempre é pânico. Às vezes é café demais, cansaço, esforço físico ou pressa. Nó na garganta nem sempre é sinal de fraqueza. Pode ser emoção genuína pedindo passagem. Quando aprendemos a observar sem tirar conclusões apressadas, reduzimos o sofrimento extra criado pela pressa de explicar tudo de forma catastrófica.
Para quem quer começar hoje, um exercício simples ajuda bastante. No fim do dia, anote três momentos marcantes. Em cada um, registre: o que aconteceu, o que você pensou, o que sentiu no corpo, qual emoção apareceu e o que fez em seguida. Depois pergunte: essa reação me aproximou ou me afastou do que é importante para mim? Em poucos dias, padrões começam a surgir. Talvez você perceba que certas emoções aparecem quando está com pouca energia. Talvez veja que sua raiva aumenta quando se sente ignorado. Talvez note que sua tristeza vem acompanhada de pensamentos muito duros com você mesmo.
Entender o que você sente não transforma a vida em algo fácil. Mas torna a vida menos confusa. Em vez de ser arrastado por emoções sem nome, você começa a reconhecê-las, acolhê-las e lidar com elas com mais maturidade. Isso já é uma grande mudança. Quem sabe o que está sentindo não deixa de sofrer, mas sofre com mais consciência e cria mais espaço para responder melhor. E esse espaço, pequeno no começo, pode mudar relações, escolhas e a forma como você vive a própria história.
Há outro ponto importante nesta parte sobre entendendo o que você sente no dia a dia. Nem todo aprendizado emocional aparece como virada espetacular. Muitas vezes ele surge quando você percebe um padrão alguns minutos antes, fala de modo um pouco mais claro ou evita uma reação que antes parecia inevitável. Esses pequenos sinais costumam ser o começo de mudanças maiores.
Também ajuda muito transformar reflexão em rotina. Separar cinco ou dez minutos no fim do dia para revisar o que mexeu com você, o que pensou, como o corpo reagiu e o que poderia fazer diferente cria continuidade. Sem continuidade, boas ideias viram apenas inspiração passageira. Com continuidade, elas começam a moldar novos hábitos.
Outra observação prática é que emoções difíceis pedem linguagem concreta. Em vez de se definir de forma ampla e dura, tente descrever situações específicas. Dizer ‘hoje me senti inseguro nesta conversa’ é bem diferente de afirmar ‘sou incapaz’. A descrição específica costuma abrir caminho para ação. A generalização pesada costuma empurrar você para paralisia.
Vale lembrar ainda que mudanças emocionais ficam mais sólidas quando contam com apoio. Isso não significa depender de alguém para tudo, mas reconhecer que vínculos confiáveis ajudam a colocar a experiência em perspectiva. Uma conversa honesta, um limite claro, uma escuta respeitosa ou até a companhia silenciosa de alguém seguro podem reduzir bastante o peso do momento.
Se quiser testar esta leitura na prática, escolha uma situação recente e releia tudo à luz dela. Pergunte o que sentiu, o que pensou, qual valor foi tocado, que hábito piorou ou ajudou e qual seria um próximo passo mais maduro. Aplicar conceitos em experiências reais costuma ensinar mais do que apenas concordar com eles em tese.
Nem sempre será confortável olhar dessa forma para si mesmo. Em alguns dias você vai preferir voltar ao automático, fugir do assunto ou procurar distração imediata. Isso faz parte. O importante é não transformar uma recaída em desistência. Retomar a prática no dia seguinte já é um movimento valioso de cuidado e responsabilidade.
Com o tempo, esse tipo de atenção muda não apenas o que você sente, mas a maneira como fala, decide, trabalha e constrói relações. A pessoa continua humana, portanto continua vulnerável a medo, tristeza, frustração e cansaço. A diferença é que passa a reconhecer essas experiências mais cedo e a responder de forma menos destrutiva.
Por fim, vale repetir uma ideia simples: compreender emoções não serve para ficar pensando em si o dia inteiro, e sim para viver melhor. Quando você entende o que acontece por dentro, ganha mais liberdade para investir energia no que importa por fora: vínculos, trabalho, descanso, escolhas e uma rotina mais coerente com seus valores.
Há outro ponto importante nesta parte sobre entendendo o que você sente no dia a dia. Nem todo aprendizado emocional aparece como virada espetacular. Muitas vezes ele surge quando você percebe um padrão alguns minutos antes, fala de modo um pouco mais claro ou evita uma reação que antes parecia inevitável. Esses pequenos sinais costumam ser o começo de mudanças maiores.
Também ajuda muito transformar reflexão em rotina. Separar cinco ou dez minutos no fim do dia para revisar o que mexeu com você, o que pensou, como o corpo reagiu e o que poderia fazer diferente cria continuidade. Sem continuidade, boas ideias viram apenas inspiração passageira. Com continuidade, elas começam a moldar novos hábitos.
Outra observação prática é que emoções difíceis pedem linguagem concreta. Em vez de se definir de forma ampla e dura, tente descrever situações específicas. Dizer ‘hoje me senti inseguro nesta conversa’ é bem diferente de afirmar ‘sou incapaz’. A descrição específica costuma abrir caminho para ação. A generalização pesada costuma empurrar você para paralisia.
Vale lembrar ainda que mudanças emocionais ficam mais sólidas quando contam com apoio. Isso não significa depender de alguém para tudo, mas reconhecer que vínculos confiáveis ajudam a colocar a experiência em perspectiva. Uma conversa honesta, um limite claro, uma escuta respeitosa ou até a companhia silenciosa de alguém seguro podem reduzir bastante o peso do momento.
Se quiser testar esta leitura na prática, escolha uma situação recente e releia tudo à luz dela. Pergunte o que sentiu, o que pensou, qual valor foi tocado, que hábito piorou ou ajudou e qual seria um próximo passo mais maduro. Aplicar conceitos em experiências reais costuma ensinar mais do que apenas concordar com eles em tese.
Nem sempre será confortável olhar dessa forma para si mesmo. Em alguns dias você vai preferir voltar ao automático, fugir do assunto ou procurar distração imediata. Isso faz parte. O importante é não transformar uma recaída em desistência. Retomar a prática no dia seguinte já é um movimento valioso de cuidado e responsabilidade.
Com o tempo, esse tipo de atenção muda não apenas o que você sente, mas a maneira como fala, decide, trabalha e constrói relações. A pessoa continua humana, portanto continua vulnerável a medo, tristeza, frustração e cansaço. A diferença é que passa a reconhecer essas experiências mais cedo e a responder de forma menos destrutiva.
Por fim, vale repetir uma ideia simples: compreender emoções não serve para ficar pensando em si o dia inteiro, e sim para viver melhor. Quando você entende o que acontece por dentro, ganha mais liberdade para investir energia no que importa por fora: vínculos, trabalho, descanso, escolhas e uma rotina mais coerente com seus valores.
Há outro ponto importante nesta parte sobre entendendo o que você sente no dia a dia. Nem todo aprendizado emocional aparece como virada espetacular. Muitas vezes ele surge quando você percebe um padrão alguns minutos antes, fala de modo um pouco mais claro ou evita uma reação que antes parecia inevitável. Esses pequenos sinais costumam ser o começo de mudanças maiores.
Referências bibliográficas
LEAHY, Robert L. Não acredite em tudo que você sente: identifique seus esquemas emocionais e liberte-se da ansiedade e da depressão. Tradução de Sandra Maria Mallmann da Rosa. Porto Alegre: Artmed, 2021.
LEAHY, Robert L. Don’t believe in everything you feel: a CBT workbook to identify your emotional schemas and find freedom from anxiety and depression. Oakland: New Harbinger Publications, 2020.